Quedas em idosos: como prevenir e quando procurar um geriatra

Quedas não são "coisa normal da idade", e na maioria dos casos, são evitáveis. Elas costumam ser a ponta de um problema maior: perda de força muscular, efeito de remédios, alterações na visão ou no equilíbrio. Por isso, toda queda em uma pessoa idosa merece ser levada a sério e investigada, mesmo quando não causa nenhuma lesão aparente ou não ocasiona uma ida ao pronto socorro.
Por que os idosos caem mais?
O envelhecimento traz mudanças que aumentam o risco de queda: perda progressiva de massa muscular e força (sarcopenia), redução da densidade óssea, reflexos mais lentos e alterações na visão. Some a isso fatores que pioram o quadro, uso de vários medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia), quedas de pressão ao levantar (hipotensão ortostática), diabetes, Parkinson e problemas de equilíbrio, e fica claro por que esse é um dos temas centrais da geriatria.
Quais sinais merecem atenção?
Algumas perguntas simples ajudam a identificar quem precisa de uma avaliação mais aprofundada:
A pessoa já caiu ou quase caiu no último ano?
Sente desequilíbrio ao caminhar?
Tem medo de cair?
Se a resposta for "sim" para qualquer uma delas, vale buscar avaliação geriátrica, mesmo sem ter ocorrido nenhuma queda "grave" ainda. O medo de cair, inclusive, é um sinal importante por si só: ele leva muitos idosos a reduzir a atividade física, o que enfraquece ainda mais o corpo e cria um ciclo que aumenta o risco de novas quedas.
O que fazer logo depois de uma queda?
Nem toda queda exige ida à emergência, mas alguns sinais indicam que a avaliação não pode esperar: dor intensa, inchaço, sangramento, sonolência incomum, confusão mental ou dificuldade para se mover. Nesses casos, procure atendimento de urgência. Mesmo quando a queda parece "sem gravidade", é importante relatar ao médico responsável. Quedas leves que não são comunicadas tendem a se repetir, porque a causa de fundo, seja um remédio, um problema de visão ou uma alteração no equilíbrio, acaba não sendo investigada e consequentemente não é afastada.
Como prevenir novas quedas?
A prevenção funciona melhor quando olha para a pessoa de forma completa, não só para o momento da queda:
Revisão de medicamentos — identificar remédios que aumentam o risco e ajustar doses quando possível
Atividade física orientada — exercícios de fortalecimento e equilíbrio, como fisioterapia
Ajustes em casa — remover tapetes soltos, melhorar iluminação, instalar barras de apoio
Avaliação da visão e audição — limitações sensoriais também contribuem para quedas
Calçados adequados — solado antiderrapante e boa fixação
Quando vale procurar um geriatra
Se você é cuidador ou familiar de um idoso e reconheceu algum desses sinais, o próximo passo é uma avaliação geriátrica ampla, um olhar completo que investiga não só a queda em si, mas o conjunto de fatores por trás dela: medicação, força muscular, equilíbrio, visão e o ambiente onde a pessoa vive.
"Antes da primeira queda" Não é mandatório sofrer queda com o avançar da idade, embora seja prevalente. O que observo rotineiramente no consultório é que idosos ativos, que realizam fortalecimento muscular regular, não se arriscam em pequenos reparos e tem a cognição preservada, tendem a não cair. Sendo assim, e condizente com as evidências científicas, exercício físico e mente ativa são fundamentais para prevenir a primeira queda.
"Tudo piorou depois da queda" Assim começou a consulta de uma paciente nonagenária no consultório: tudo piorou, doutora, depois da queda. Morava só, viúva há 14 anos, cuidava da própria casa, dos seus medicamentos e da sua alimentação. Em um pequeno descuido tropeçou e caiu, mas essa queda culminou em fratura de coluna pela osteoporose. Esse episódio resultou em dor, limitação para tarefas cotidianas e uma mudança completa de rotina ao se mudar para a casa de seu filho. Uma - nada - simples queda. Entre tantas intervenções geriátricas que poderiam ser feitas destaco duas: o exercício físico que ela não fazia e o tratamento da osteoporose que também não estava diagnosticada. Em resumo, o médico geriatra é o responsável por um olhar do futuro. Prevenimos para não remediar. Conduzimos mudanças do estilo de vida que vão cultivar a independência e uma vida boa de viver. Sobre a autora: Liz Pires, CRM 207486, RQE 124598 — Médica Geriatra
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